Caixa de Memórias de Bastiões

D. Zermar e as memórias de Bastiões

D. Zermar é mais uma guardiã das memórias de Bastiões.
Ela nos conta que a comunidade foi fundada por duas negras que vieram da Bahia e se alojaram naquelas terras. Perto da comunidade, num local chamado Saco dos Frades, que atualmente é Aquinópolis, moravam dois frades que tinham vindo de Pernambuco fugidos de uma revolução. Eles compraram um pedaço de terra no Pereiro e outro nas Goiabeiras. Lá eles construíram uma barraca e colocaram a imagem de Nossa Senhora do Carmo. Os frades ficavam um tempo na serra do Pereiro e outro nas Goiabeiras.
Após um período houve um incêndio na barraca e o fogo queimou tudo menos a imagem da santa, deixando-a intacta. As duas negras eram devotas de N. Senhora do Carmo, mas não possuíam a imagem de devoção.
Com o tempo, os frades souberam que a revolução havia acabado e resolveram voltar para Pernambuco. Decidiram então trocar a imagem da santa com as negras. “trocaram quatro cavalos e a moeda a gente não sabe, mas se fosse hoje em dia seria três cédulas de R$ 50,00 pela imagem da santa. Elas trouxeram a imagem pra cá e fizeram  um oratório onde hoje fica a capela…”

D. Maria Pequena e o açude Santo Antônio

D. Maria pequena é a moradora mais próxima do Açude Santo Antônio e nos fala um pouco nessa entrevista sobre as dificuldades em se conseguir água antes da construção do Açude e de como ele ajuda no abastecimento da comunidade atualmente.

D. Sinhá – Rezadeira de Bastiões

D. Sinhá nasceu nos Bastiões em 1930 conta que foi a primeira pessoa da comunidade que aprendeu a fazer tela. Houve um período em que ela ensinava até 16 pessoas por dia a fazer seu ofício. Além de confeccionar tela D. Sinhá é rezadeira já livrou várias crianças de “quebrantes”, “vento-caido” entre outras doenças. Nos contou que é capaz de curar uma pessoa a distância basta apenas ter uma peça de roupa do doente que ela reza e a pessoa fica curada.
“Maria Sinhá Pereira da Silva já rezou em muitas crianças, já tirou muito quebrante, e ajudou a muitas mães sem esperanças.
O dom que ela recebeu não é para todas as pessoas pois é um dom maravilhoso, que cura ajuda e previne de varias coisas.”

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D. Antônia, a paneleira de Bastiões…

D. Antônia, artesã e moradora de Bastiões desde que nasceu, nos fala da forma como fabricava sua louça de barro. Ela nos conta que aprendeu a fazer o artesanato sozinha e fala que apesar de ter conseguido criar seus filhos vendendo o que fabricava, não aconselha a ninguém a seguir nessa vida sofrida e cheia de percalços.
Ela conta alegre e sorridente que adora morar na comunidade e só saí de sua casinha se for para morar ali pertinho, no cemitério de Bastiões.

Zé bezerra e a arte de lidar com couro

José Bezerra Magalhães, mais conhecido como Zé Bezerra, trabalha com couro a 35 anos e fala orgulhoso que aprendeu o oficio sozinho. Disse que um dia quando estava sem nada pra fazer, resolveu desmontar uma cela e montá-la novamente. A partir desse momento entendeu o processo de montagem e não parou mais de fabricar.
Sr. Zé Bezerra diz vaidoso que recebe várias encomendas de toda a região e que nunca recebeu nenhuma reclamação  de seus clientes.

 

 

 

Sr. Chico Currimboque

Francisco Balbino, conhecido como Chico Currimboque é morador da comunidade de Bastiões desde que nasceu. Adora contar e inventar estórias sobre o cotidiano e sobre o trabalho no roçado.
“Agora vem o Chico Currimboque,
Que na hora ficou nervoso.
Falou de lendas, histórias antigas,
Eita! Homem talentoso,
É idoso mais fala bonito,
É surdo, não escuta bem,
É muito conhecido,
Tem saber que muitos jovens não tem.”