Escola de Samba Acadêmicos do Bairro Dom Expedito

Ainda no bairro, foi a vez de irmos a casa de Antônio Loureto de Sousa , 50 anos, mais conhecido como Marciano o presidente do GRES Acadêmicos do Dom Expedito. Ele nos conta como tudo começou há quatorze anos e que um dos objetivos é inserir a juventude e tirar da ociosidade das ruas. No primeiro ano de carnaval ele ficaram em último lugar mas logo no ano seguinte foi vice campeã do carnaval sobralense.Hoje são cinco títulos e três vice campeonatos.São oferecidos cursos de percussão pra os jovens do bairro, e até membros do carnaval do Rio de Janeiro como da Unidos da Tijuca vieram prestigiar.

Seu Marciano nos conta que recentemente sofreu o acidente que prejudicou a fala, mas isso foi quase que impercepitivel tal a beleza e a importância e paixão com que ele fala da escola para seu bairro.

BOI PAZ NO MUNDO

Fomos até o bairro do Junco, entrevistar os herdeiros do Boi Ideal do mestre Panteca. Seu Antonio Pedro do nascimento, diz que desde os 8 anos pula o reisado , e declara o amor que tem pela cultura popular. O Boi Paz no Mundo é semelhante aos festejos do boi de Parintins no Pará, contando a história da mulher que tinha o desejo de comer a língua do boi preferido do patrão do esposo, que atende o pedido e é contada todos os anos a partir do Dia de Reis até o fim de janeiro. “ É um momento de alegria , pra mim janeiro é mês de criança ”, diz e cantando emociona a quem viveu essa alegria nos tempos de criança,. São 58 pessoas, 20 galantes , 20 índios, entre mais vaqueiros , sanfoneiros, conta da grande quantidade de componentes para que o espetáculo saia bem feito,e que hoje tem o apoio da secretária de cultura.

Mercado de Sobral

No mercado municipal da cidade nós conversamos com Seu João, vendedor de plantas medicinais, que há 28 anos trabalha no local, ele nos mostra as mais variadas espécies de plantas usadas para chás, como eucalipto, capim-santo, casca de aroeira , entre outras tantas e além das garrafadas de mel caseiro que ele próprio fabrica. “ A gente reza, curar ninguém cura , só DEUS cura ”, explica sobre a fé que as pessoas colocam nessas ervas. Das dificuldades que enfrenta por trabalhar num local de espaço muito pequeno, ele diz que quando chove é ruim por que molhar tudo e o governo há tempos já promete uma grande reforma.

Em outra parte, a conversa é com Dona Francisca, 66 anos faz tapiocas, lanches, sopas, está há 25 anos no mercado, hoje não vende mais almoço por que ninguém procura mais. Ela lembra que antes da construção do mercado o projeto era para ser onde hoje é o Centro de Conversões, no campo dos Velhos, mas o povo não aceitou pois era longe do centro da cidade.

No mercado ainda tivemos conversas com Dona Jucimary e Dona Benedita que são artesãs , as feiteiras como são chamadas as mulheres que entrelaçam os fios fazem chapéu de palha.

E encerrando fizemos uma entrevista com o jovem Vagner de 22 anos, que continua o estabelecimento do rei do caldo como era conhecido seu Raimundo, por fazer um caldo muito famoso pra quem visita o mercado de Sobral, ele aprendeu a fazer e hoje toma conta dos negócios na ausência do antigo dono e na falta de interesse que os filhos deste têm em continuar com o legado do pai.

Violeiro: Um Menestrel na modernidade

Nosso segundo dia de entrevistas teve seu início na Praça de Cuba, centro de Sobral, onde se deu nossa conversa com o  violeiro Antônio Pontes. Com 61 anos de idade ele vive em Sobral há 40 anos e apresenta durante a semana o programa Viola de Repentes na Rádio Educadora .

Quem passava por ali, parava e dedicava um pouco de sua corrida manhã para ouvir as histórias e os versos que Seu Antônio recitava e dedilhava nas cordas da viola ,“ Todo dia eu cheiro ela… A viola é como uma criança, não pode cair…É a gente que conduz”. Segundo ele “ Todo repentista é poeta , mas nem todo poeta é repentista ” . Essa tradição popular que surgiu na Idade média e ganhou força no nosso Nordeste , é chamada repente por que as canções surgem de repente, do improviso diante de algum tema.

“ Os cancioneiros eram natos para o sertão, as serras, agora também estão também presentes na cidade ”, diz , e conta que existiam 40 cantadores quando ele chegou a Sobral , hoje são apenas cinco, mas acredita que essa profissão não irá acabar pois vem surgindo jovens violeiros de 15, 17 anos que continuaram essas tão bela batalhas poéticas.

Planejamento de travessias no rio e nas memórias

Sentimos a emoção das lembranças revividas nas memórias, fica claro a ligação das experiências com espaços e pessoas que fazem parte da vida dos participantes. E o registro parece ser o momento mais esperado das oficinas por ambas as turmas. As aulas de campo se aproximam e os participantes iniciam os preparativos para fazer o registro dos bens patrimoniais que vão contar um pouco da história de Sobral a partir de novos olhares.

Nos próximos dois dias, estaremos em uma aventura entre as águas do rio Acaraú e as memórias do povo da cidade. As expectativas são grandes e o trabalho é árduo, mas a turma mostra que histórias ainda não contadas farão parte das páginas que desvendam Sobral.

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Entre muros consagrados e doces lembranças

Igreja em Sobral

O Centro histórico de Sobral já é bastante conhecido inclusive tombado, sua monumentalidade impressiona, mas hoje, a turma foi além das paredes dos grandes prédios e passeou pelas histórias do povo sobralense. Nas discussões acerca dos patrimônios locais, os participantes identificaram personalidades e histórias que enriqueceram o imaginário popular da cidade.

A tarde desta terça-feira foi muito produtiva. A turma se descontraiu e fez transparecer as memórias de infância que ficaram marcadas nas ruas, casas, pedras e até mesmo, na água. O saber acadêmico se mesclou com o saber popular como se fosse um alfenim (doce típico sobralense e muito comum nos festejos locais de São Francisco).

Chuva, cultura e calor humano em Sobral

Nossa chegada em Sobral foi no mínimo, curiosa. Logo na estrada, nós tivemos notícia da chuva que havia caído na cidade, aguaceiro que trouxe medo a alguns sobralenses, mas encheu além de cisternas, a esperanças dos sertanejos que esperam ansiosos pelas cheias do majestoso Rio Acaraú.

Mas a chuva não desanimou os participantes da oficina, que nas duas turmas, provaram que o famoso calor dessa terra se deve, em parte, à vontade e à garra de seus moradores. E  foi esse calor que embalou as discussões sobre cultura e patrimônio. As turmas demonstraram bastante conhecimento a respeito do assunto, o que fica claro com o depoimento de uma das participantes da turma da manhã, “Antes eu achava que cultura era só arte, como dança e música, mas hoje, no curso acadêmico de História, já entendo que cultura é nosso modo de ser”, explicou Rafaela, universitária do curso de História da UVA.

 

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