Seu Sebastião – Pescador Veterano e Contador de Histórias

Seu Sebastião é uma verdadeira enciclopédia viva de Fortim. Pescador veterano e morador antigo, ele é capaz de contar parte do histórico de ocupação do lugar.

Resistente ao tempo, (enquanto nos conta a história do lugar, “levanta inúmeros finados”, pois todos esses já “passaram”) seu Sebastião parece às vezes não resistir às próprias lembranças, que por vezes mexem com ele.

Seu Sebastião contou também como a pesca, tão importante na sua vida, foi também importante para a criação de Fortim e o que aconteceu na cidade em períodos históricos importantes.

Um detalhe interessante é que Seu Sebastião parece usar a ponta dos dedos para catar as memórias que o rodeiam. A forma como balança as mãos (como se estivesse procurando por algo) sempre que precisava “lembrar-se de algo” que está “mais fundo” na mente. Ele nos revelou o quão interessante pode ser o universo das memórias. Tanto de um, como de todos.

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Dona Maria Tetém – Rezadeira

Dona Maria Tetém, quando mais nova, vivia muito doente. E pedia muito para que saísse daquela condição. Um dia, dentro do hospital, Dona Maria viu uma santa muito bonita, mas que não sabia quem era. No dia seguinte ela acordou “melhorada” e desde então não se internou mais. Dona Maria atribuiu a graça à santa que havia aparecido para ela.

A partir daí Dona Maria começou a rezar em crianças e até em animais.

Com a ajuda das folhas de pião roxo, Dona Maria já rezou até em pessoas de outras comunidades.

Sempre de graça, pois faz por agradecimento ao dom que recebeu.

Pontal Arte – Mostra cultural

O Pontal Arte é uma celebração que surgiu em 1993, a partir de conversas de amigos, com o objetivo de apresentar e valorizar a cultura do Pontal do Maceió.

Acontecendo anualmente durante três dias, geralmente do final de outubro ao início de novembro, a festa serve para que as culturas não se percam e que a comunidade possa ver e mostrar o que tem e faz. Fernando César, hoje um dos responsáveis pelo festival, nos contou um pouco sobre a sua importância para a comunidade de Fortim.

A primeira professora

Tia Fernanda” como é conhecida a professora de educação básica Fernanda Carneiro dos Santos. Mulher forte da Comunidade Coqueirinho (das várias que já existe), nasceu em Aracati e acabou mudando-se para a comunidade no ano de 1995. Ela se tornou assim a primeira professora da escola que se estabelecia no assentamento. Porém, no início também não foi fácil. Além dos problemas de estrutura, de ordem financeira e material da escola, também foi preciso mudar o pensamento dos moradores da região, ensinando-os a máxima: a educação é a melhor ferramenta para se combater a injustiça e estabelecer uma melhoria na vida dessas famílias. Trabalho bem difícil, mas graças ao seu esforço e das outras pessoas que apoiaram a ideia, tudo acabou dando certo. Após algum tempo, as famílias já incentivavam seus filhos a frequentar regularmente o ambiente escolar e com o passar do tempo essa prática tornou-se corriqueira, levando educação aos pontos mais distantes da comunidade. Hoje, a escola de Educação Básica Coqueirinho é um referencial para todos, não só com relação ao prédio, mas principalmente por seus colaboradores e especial a famosa “Tia Fernanda” (que acabou mesmo sendo a tia de muitos moradores). A “Tia” inclusive na entrevista relatou o papel na formação ética e social de seus alunos, que muitos deles acabaram vestindo a camisa do Projeto Patrimônio para Todos. Mostrando que houve sim grandes realizações na comunidade através do intenso e belo trabalho da Professora Fernanda, ou simplesmente “Tia Fernanda”.    

 

 

Dona Zildene e a Maxixada

Enfim, chegamos na parte mais deliciosa do nosso relato. As famosas iguarias da Dona Zildene. Mulher de força, fibra, possuidora do respeito de todos (todos mesmo, dos mais antigos aos mais novos), uma das primeiras moradoras do assentamento, a primeira mulher a ocupar a liderança da comunidade, mãe, avó e grande personalidade da região. Sendo a responsável pelo desenvolvimento de uns dos pratos mais famosos do assentamento: a famosa “maxixada da Dona Zildene”, caiu no gosto até dos visitantes que prometem voltar só para provar um pouco mais dessa iguaria típico da região. Porém, antes da “descoberta” da sua Maxixada pelos turistas, esse prato tinha outra finalidade. A manutenção de uma dieta equilibrada que suprisse a falta de gêneros básicos de alimentos, ocorrido pelo difícil começo da criação do assentamento. Para fugir da fome que assolava a comunidade, essa mulher de incrível originalidade criou também o caldo de sebo. “Levando” ingredientes típicos da região, o caldo de sebo contém: farinha, rapadura, sal a gosto e sebo de boi. Já a famosa maxixada “leva” leite de cabra, maxixe, queijo e creme de leite. 

Casa de Memória de Coqueirinho

Vendo a necessidade de conservar as memórias do assentamento, a população se reuniu e estabeleceu a criação de um museu. Opa! Museu não, uma Casa de Memória, como a própria comunidade a define. Nessa casa há moradores bem inusitados, passando por objetos de referência como o primeiro caldeirão que Dona Zildene fazia o seu famoso caldo de sebo (já chegaremos lá, continuem a ler nosso blog) até a pequena tv (pequena mesmo), onde toda a comunidade se reunia para viver e sentir as dramas, alegrias e indignação das nossas famosas novelas brasileiras. Era por elas que eles ficavam na expectativa de saber quem matou fulano, porque esse malvado(a) não é preso… Enfim, ela foi por muito tempo uma das diversas “pontes” que manteve a comunidade unida. Porém, o objetivo maior dessa casa é mostrar e não deixar cair no esquecimento, de como foi criado o assentamento, como foi estabelecido, quais foram as dificuldades, as brigas e as alegrias dos primeiros anos no local. Com um caráter bem diversificado encontramos fotos, objetos, histórias do passado e do presente do assentamento. Tendo como grande esperança pelos moradores de sempre aumentar esses registros, levando a história da comunidade a todos num futuro próximo.    

Lagoa de Coqueirinho

“Quem anda no trilho é trem de ferro, sou água que corre entre pedras: liberdade caça jeito.” Manoel de Barros

Existe algo mais livre que água? Ela surge ali do “nada” e volta a sumir da mesma forma que chegou. Bem, pelo menos isso era o que acontecia há alguns anos na Lagoa da Comunidade Coqueirinhos. Hoje, porém só resta mais uma lembrança de toda aquela água que existia antes. No início do assentamento essa lagoa foi de extrema importância para a comunidade, além de proporcionar condições favoráveis para a manutenção da vida dos moradores, dos animais e de suas plantações. Ainda contribuía como mais uma forma de renda, através da pesca e venda dos peixes. Mas, também não só de trabalho vive o homem, né. Essa lagoa estabelecia-se como ponto de encontro nas ensolaradas e quentes tarde de domingo, onde se podia passar e viver um belo pôr do sol, juntos com a família e amigos. Onde tem pessoas também há histórias e acontecimentos e ali também não poderia fugir dessa “regra”. Passando de simples “histórias de pescador” como pessoas que pescavam enormes peixes (que nunca ou quase nunca ninguém via) a causas de dramas como afogamentos de pessoas (na maioria crianças) e fantasmas (sim, como não se poderia faltar numa lagoa de “responsa”). Porém depois de 2009, a população viu a sua última cheia. Por motivos das obras de infraestrutura da comunidade, da erosão, das secas nesses últimos anos e de fatores naturais, hoje ela se resume a uma pequena “poça”, onde não se dá para o uso da comunidade. Porém, os assentados não perdem a esperança de um dia a lagoa voltar a encher e com ela todas as lembranças voltarem a ser “livres” junto com as águas.