“A reza nos côro do ladrão”

Árvore genealógica.

No primeiro tempo da tarde ouvimos as falas sobre o exercício da árvore genealógica, e tivemos a surpresa de ouvir uma grande história.
A história que ocorreu em Acaraú foi contada por uma das participantes da oficina, chamada Lili. Ela conta que enquanto pesquisava seus antepassados ouvia o pai falar sobre o seu avô, onde ele descrevia um episódio muito curioso.
O pai de Lili relata que o avô dela, em um dia desses nublado, resolveu deixar seu cavalo no pé da cancela. Ele estava muito apressado, depois de chegar da mata. Ao voltar para pegar o cavalo, o seu João não o encontrou mais onde havia deixado. Ele não pensou duas vezes! Indignado com a perca de seu precioso animal, fez sua reza mais poderosa, que determinava que o cavalo, onde quer que ele estivesse parado, ficasse ali mesmo, e não conseguisse mais seguir adiante até o encontro de seu dono.
Desesperado, o ladrão tentava, sem sucesso, fazer com que o animal se levantasse e seguisse. Perdendo tempo suficiente para que seu João e os filhos o alcançassem. “Eis que a reza fez valer o rei nos côro do ladrão, que nunca mais triscou os pés nas terras de seu Antônio.”
Lili conta ainda, que seu avô pretendia passar o conhecimento adiante, pois através desse dom conseguia ajudar a comunidade. À exemplo, ele ajudava a encontrar pessoas perdidas. Porém, seu filho, ao começar a aprender teve medo das vozes e visagens que vinham lhe ajudar a compreender melhor esse legado, e desistiu da ideia.
Seu João, por sua vez, faleceu. E o dom da reza daquela família foi enterrado.

Entre muros consagrados e doces lembranças

Igreja em Sobral

O Centro histórico de Sobral já é bastante conhecido inclusive tombado, sua monumentalidade impressiona, mas hoje, a turma foi além das paredes dos grandes prédios e passeou pelas histórias do povo sobralense. Nas discussões acerca dos patrimônios locais, os participantes identificaram personalidades e histórias que enriqueceram o imaginário popular da cidade.

A tarde desta terça-feira foi muito produtiva. A turma se descontraiu e fez transparecer as memórias de infância que ficaram marcadas nas ruas, casas, pedras e até mesmo, na água. O saber acadêmico se mesclou com o saber popular como se fosse um alfenim (doce típico sobralense e muito comum nos festejos locais de São Francisco).

Chuva, cultura e calor humano em Sobral

Nossa chegada em Sobral foi no mínimo, curiosa. Logo na estrada, nós tivemos notícia da chuva que havia caído na cidade, aguaceiro que trouxe medo a alguns sobralenses, mas encheu além de cisternas, a esperanças dos sertanejos que esperam ansiosos pelas cheias do majestoso Rio Acaraú.

Mas a chuva não desanimou os participantes da oficina, que nas duas turmas, provaram que o famoso calor dessa terra se deve, em parte, à vontade e à garra de seus moradores. E  foi esse calor que embalou as discussões sobre cultura e patrimônio. As turmas demonstraram bastante conhecimento a respeito do assunto, o que fica claro com o depoimento de uma das participantes da turma da manhã, “Antes eu achava que cultura era só arte, como dança e música, mas hoje, no curso acadêmico de História, já entendo que cultura é nosso modo de ser”, explicou Rafaela, universitária do curso de História da UVA.

 

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Professora Josieda: História de General Sampaio

Para contar um pouco da história de General Sampaio, os participantes do PPT convidaram Josieda Bezerra Andrade, 55 anos, professora da escola José Bezerra Filho.

A professora Josieda nos contou que a história da fundação de General Sampaio contém muitos mitos e com isso, ela resolveu se aprofundar mais sobre ela. De início explicou que a região era povoada pelos índios Apuiares e Canindés, depois, o homem branco chegou e começou a povoar aquele lugar. Durante um tempo houve uma seca muito grande e o governo fedeal se emepnhou em detectar locais que seriam propícios para a construção de açudes e encontram um local ideal nos lados da serra da Mãe Tereza, onde passava o rio Curú. Para essa construção, vieram muitas pessoas e foi onde passaram a criar a primeira escola de General…

Galera essa historia não acabou por aqui, assistam ao vídeo e vejam como surgiu essa cidadezinha tão simpática e aconchegante!

 

Seu Júlio – Agricultor

Júlio Codolino de Paula é conhecido como Seu Julim. Morador da Rua José Félix, é agricultor e reside há 45 anos na cidade de General Sampaio, mas é natural da cidade de Canindé. Quando respondeu qual bem patrimonial que para ele seria o mais importante, ele logo citou o Açude General Sampaio, construído no ano de 1932.

Na construção do açude veio muita “gente de fora”, as condições não eram boas. Seu Júlio passou uma parte de sua vida em Canindé e foi morar em São Paulo devido à baixa condição financeira no Ceará, pois a seca influenciou bastante a falta de emprego na comunidade nesse período. Relembrando um pouco da história do açude, seu Júlio, hoje com 75 anos de idade, recordou das festas de antigamente que eram realizadas em barracas de palha, onde as pessoas simples e tranquilas iam se divertir. Seu Júlio se diz muito grato pela existência do Açude General Sampaio e de forma emocionada acredita que nada seria sem esse açude.

Quer saber um pouco mais sobre a fundação de General Sampaio e outras histórias? Então assista ao vídeo abaixo.

Seu Atenor e o amor pela Umbanda

Tenor Ferreira Lopes, mais conhecido como Seu Antenor, tem 70 anos de idade e mora há 39 anos na cidade de General Sampaio. Umbandista há 31 anos, ele diz que aprendeu a prática com Deus.

Aos 31 anos de idade, na descoberta de sua religião, Seu Antenor se encontrava muito mal de saúde. Ele já havia visitado vários médicos e religiões e não se identificou com nenhuma delas. Mas foi na Umbanda que ele sentiu a presença de Deus e onde se recuperou. Esse senhor espirituoso, definiu todas as religiões como do “Bem” e que, na sua opinião, são as pessoas que procuram qual caminho a seguir dentro delas. Seu Antenor finalizou a entrevista com uma emocionante história de cura através de suas rezas. Todo o relato desse momento marcante está disponível no vídeo abaixo.

Seu Luiz da Canoa

Luiz Saraiva Barbosa, conhecido por todos como seu Luizim, nasceu em 1944. Falando da arte de confeccionar canoas, Seu Luiz enfatiza a dificuldade de extrair a madeira para canoa, pois ela é rara aqui no Ceará, podendo ser encontrada somente no Pará. Há 30 anos ele pratica essa atividade e disse-nos que uma parte das canoas era feita para campeonatos que aconteciam na cidade e em regiões próximas. Aprendeu a fazer esse trabalho ao decorrer de sua vida e nutre a vontade de passar seu oficio para seus filhos.