Entrega de Certificados na Comunidade de Fernandes – Aratuba

A entrega dos certificados foi um momento de grande euforia, todos estavam ansiosos para ver o que para eles é a concretização de uma semana de esforço e novas experiências.Somos gratos a Aratuba, gratos ao seu povo  e temos a certeza de que a saudade ainda ficará.

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“Alguns de nossa aldeia foram embora,

e a saudade no peito ainda mora.

Guardo com amor e carinho

por isso não estamos sozinhos

zelamos por nossa cultura,

que é tão pouco preservada

vamos botar pra frente pra que não seja acabada.”

Autora: Valdilane Santos Alexandre

 (Participante do Projeto Patrimônio Para Todos 2012/Aratuba)

Caixas da Memória da comunidade Fernandes – Aratuba

            Nossa jornada chega ao fim, hoje tivemos apresentação das tão esperadas caixinhas da memória, a turma que dissera não saber ou não ter nenhum objeto que pudesse trazer, nos emocionou com as histórias ali contadas.

 

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Caixa de Memórias de Bastiões

Fermentando melhores dias

Sr. Cícero, Sr. Bernardo e o Sr. José Maciel foram companheiros durante grande parte das visitas desse dia. Encerramos nosso itinerário de visitas num lugar não menos significativo que a  Associação dos kanindé. Ali tivemos a oportunidade de ouvir mais sobre a Festa do Mungunzá como um banquete em celebração à alegria de se ter o alimento posto à mesa e até mesmo sobre habilidades de caça.

 

Ouvimos ainda a fala de Helenilson, filho de Sr. Cícero, jovem historiador e diretor da Escola Indígena que reforçou o pensamento de que a juventude kanindé atual, em sua opinião, precisa incluir em sua identificação como indígena a busca pelo conhecimento, pela conexão com as novas demandas e tecnologias desenvolvidas pela modernidade. Destacou o acesso a uma universidade pública como um direito pelo qual esses jovens precisam lutar e garantir. Em seguida, veio o alimento. O mungunzá estava uma delícia!

No batente de uma Artesã Creusa e seu Croché

Dona Creuza, foi uma das entrevistadas a reforçarem a fala de que belas peças como a do seu artesanato   tinham sido aprendidas com Dona Albertina, que se tornou, por sua vez,  um verdadeiro mito das terras do povo kanindé de Aratuba e objeto de pesquisa para aquelas e aqueles mais curiosos.

Foi com alegria que Dona Creuza nos recepcionou em frente de sua casa ou, como dizem outros, no seu batente, dizendo que “aquilo que soubesse responder responderia”. Assim aconteceu. Sentada num banquinho, enquanto respondia as perguntas da equipe de entrevistadores da turma, ela até parecia uma contadora de histórias, falando de meados dos anos 50, época que seus olhos não presenciaram, mas que é conhecimento adquirido desde os seus familiares

Rajado Local de Partida

Como ponto de partida, fomos ao Rajado, local no qual os Kanindés de Aratuba realizam o plantio de subsistência. Tivemos como companheiros nessa empreitada a vitalidade e alegria do senhor Bernardo (o “sinhô”),e de José Marciel que , além de fazer “de um tudo”, é também um guerreiro versado na arte da caça.

 Ambos agricultores e fortes na labuta, aquelas e aqueles que conseguiam alcançar os passos apressados desses senhores, que rápido traspassavam os altos e baixos das veredas daquele caminho, podiam ouvi-los falando de reminiscências de um tempo em que muitos dos que hoje estão idosos faziam uma comitiva, semelhante a que estávamos fazendo, todos enfileiradinhos, indo ao roçado. As colocações dos entrevistados pareciam combinadas, já que se encaixavam umas as outras, construindo conceitos em comum.

Afinal, quais são os aspectos que hoje caracterizam e que devem ser preservados, sob o risco de comprometer a identidade de um índio kanindé de Aratuba? Melhor, como lidar com a rebeldia própria do ser jovem em tempos cuja a juventude indígena atual se encontra tão atravessada pelos conceitos e modelos da globalização? O que pode ser conservada da experiência e sabedoria dos antepassados, sem que isso se transforme em imposição de uma geração Kanindé sobre a outra?

 

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Essas questões ficaram em pauta durante todo o dia. Em geral, as falas se concentraram na reflexão de que as e os mais jovens precisam entender que são descendentes de agricultores. Esses mais velhos expressaram o medo deles de que aquelas terras em pouco tempo deixassem de ser propriedade de suas famílias, justamente por que iriam falecer e não haviam não percebiam muitos  interessados em continuar o trabalho. Creio que aquele silêncio, que imperou em seguida, foi ensurdecedor no íntimo da turma.

A Gruta e a bela história de Dona Rita

Uma gruta pequenina de Nossa Senhora de Aparecida que, na curva da estrada, materializa o agradecimento pelo filho de dona Rita, só recentemente falecido, mas antes recuperado de um acidente cuja morte parecia certa;

“Dona Rita aqui nos conta um pouco de sua história

Fala também da Gruta um símbolo de fé e glória

Feita depois de uma promessa que sua família fez

Com a promessa cumprida a Gruta agora tem sua vez!”

*Valdilane Santos Alexandre

(Participante do Projeto Patrimônio Para Todos 2012/Aratuba)

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