Mestre João Venâncio e Luiz Caboclo

Identidade de um Povo

Os Mestres João Venâncio e Luiz Caboclo ambos pertencentes ao aldeamento indígena de Almofala – Itarema, no seu depoimento Mestre João Venâncio desabafa os obstáculos que vem sofrendo ao longo desses anos para manter viva sua cultura e a identidade de seu povo, uma vez que seu espaço é ameaçado pelo avanço da civilização e de ações capitalistas, ele conta que são quatro os princípios que causaram muito do genocídio de sua cultura, são elas a globalização, civilização, democracia e municipalização.

Segundo ele seu povo não precisa desses meios para sobreviver, pois eles ainda plantam e pescam, o que é suficiente para prover o sustento de sua gente, tudo o que precisam encontram na natureza, na própria aldeia tem escola lá eles repassam um pouco do que restou de seu idioma que é o nangué, no aldeamento eles realizam suas danças típicas como o torem acreditando dessa forma manter afastados os maus espíritos, o Mestre João Venâncio é o cacique (prefeito) e o Mestre Luiz Caboclo é o Pajé (doutor) responsável pela confecção dos elixis  e garrafadas curativas, a fogueira tem vários significados dentre eles a purificação, o casamento é a representação do amor não existe um ritual a exemplo da igreja católica, por fim o Mestre Venâncio deu suas benção e a autorização de imagem e divulgação de seu depoimento tendo em mente contribuir para o sucesso de nosso trabalho.

Mestre Antônio de Souza

Brincantes das Caretas

O Mestre Antônio de Souza da comunidade Sassaré – Potengi, em seu relato ele nos disse que há 30 anos brinca da dança dos caretas e que sente muito orgulho dessa manifestação que foi passada para ele pelo mestre Muriqui, a dança dos caretas segundo ele reuni muitos ritmos como o Xote, Xoró, baião e a dança dos caretas mesclando-se numa simbiose de danças e expressões, os caretas utilizam uma máscara feita de madeira e couro, com desenhos e pinturas que dão cor e vida a personagem.

Turma do Patrimônio com o Mestre das Caretas

Mestre Antônio conta que as mulheres não dançam e que essa arte é quase sempre uma representação masculina, dizendo ele que as mães das meninas tem um pouco de “racismo”, conotação pejorativa que indica o olhar de estranhamento que as mulheres têm para com a manifestação artística.

Mestre Lúcia Pequeno

Mestre Lúcia Pequena

A Mestra Lúcia Pequena nos falou um pouco do seu oficio que é o domínio e manejo do barro, matéria prima essencial para a produção e confecção de suas obras. Segundo ela, aprendeu tal proeza com os pais desde que era menina. Hoje ela produz suas peças com o auxilio de suas duas irmãs que lhe ajudam na elaboração diária de seus produtos. Com uma variedade de tipos e formas, seu artesanato é composto por uma diversidade de peças como: jogos de chá, jarras, potes e outras miudezas que elas vendem para a cidade de Limoeiro e outros municípios da região Jaguaribana. Seu artesanato aos poucos foi ganhando notoriedade e reconhecimento e atualmente é também vendido na CEART de Fortaleza bem como exportado para comercialização nos EUA.

O Domínio e manejo do Barro

Ela nos diz em seu depoimento que não teme que sua arte se acabe, pois sempre está realizando oficinas e cursos nas escolas do município de Limoeiro. Acredita que assim estará dando continuidade a seu oficio e possibilitando que as futuras gerações venham a valorizar e se interessar pelo mesmo.

Oficina de Metodologias de Educação Patrimonial

Durante o V Encontro Mestres do Mundo foi realizada ainda a oficina Metodologias de Educação Patrimonial, oferecida a profissionais de educação da rede pública estadual de todo o estado e ministrada pelo historiador João Paulo Vieira Neto, integrante do Programa de Especialização em Patrimônio – PEP/ IPHAN.

Educação Patrimonial para professores

A oficina tinha como objetivo oportunizar a reflexão crítica acerca dos conceitos de patrimônio cultural e educação patrimonial com o intuito de oferecer a estes educadores elementos teóricos e metodológicos para a elaboração de projetos de educação para o patrimônio em cidades interioranas de todo o Ceará.

Profº João Paulo elaborando Projetos de educação

O Cortejo dos Mestres do Mundo

O Cortejo deu inicio as celebrações e manifestações populares realizadas pelos mestres do mundo, as ruas de Limoeiro do Norte foi palco das inúmeras apresentações. Os Mestres apresentam à cidade os seus modos, saberes e fazeres, que adiquiriram durante sua vida. Alegria dos Mestres contagiou a todos que ali estavam.

Terreirada – Córrego de Areia

Fazendo parte do Encontro Mestres do Mundo, a Terreirada é o momento em um mestre da cultura popular recebe em sua casa convidados, mestres de fora, mostrando para comunidade local seus costumes e a sua arte. Em Limoeiro do Norte, a mestra Lúcia Pequeno, do artesanato em barro, fez as honras da casa e a comunidade do Córrego da Areia teve a oportunidade de ver a apresentação da Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto (Crato) e dançar com as ainda pouco conhecidas “Dramistas de Quixeré”.

Grupo Irmãos Aniceto

Os Irmãos Aniceto utilizaram o espaço do terreiro da Mestra Lúcia Pequena para apresentar um pouco da tradição popular das bandas cabaçais. Através de suas músicas e danças os irmãos reviveram a história de um “cabra macho” chamado Severino Brabo que vivia brigando com sua peixeira na mão e tirando o sossego de muitos na região.

Mestre do Pífano..

Mestre do Pífano

O Mestre do Pífano apresenta-nos através de sua peculiar forma de tocar um dos instrumentos mais tradicionais do nordeste brasileiro.  Sua arte em manusear o pífano não só como um instrumento musical, mas, como uma expressão de um saber fazer popular nos permite adentrar na riqueza e diversidade das expressões culturais nordestinas. Seus “tocadores” são em sua grande maioria trabalhadores do campo que herdam de seus antepassados o segredo da confecção do instrumento que é tocado por intuição ou de ouvido.